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terça-feira, 17 de março de 2015

Garis em greve se concentram para passeata no Centro do Rio

Garis em greve se concentravam na Candelária, Centro do Rio, por voltadas 11h desta terça, enquanto decidiam uma caminhada até a prefeitura do Rio. Os funcionários estão em greve há cinco dias no Rio. A categoria quer um aumento de 40% no salário e que o vale-refeição seja de R$ 27. O vale-refeição continuaria com o valor atual, que é de R$ 20. A prefeitura ofereceu incialmente um reajuste salarial de 3%, mas os grevistas rejeitaram a proposta.

"Um reajuste de 3% é inconstitucional, está abaixo da inflação. Com reajuste de 0% no tíquete a gente não consegue comer mais. Estamos percorrendo as regionais fazendo um trabalho de convencimento junto aos trabalhadores. Em momento nenhum usamos de violência. Somos trabalhadores e não pegamos em armas. Lutamos aqui pelo nosso direito, nada mais", afirmou o gari Bruno Coelho de Lima, representante do movimento dos garis.

Nesta segunda, uma reunião estava marcada no Ministério Público do Trabalho, no Centro do Rio, para tentar um acordo entre a categoria e os patrões. A Comlurb, no entanto, não compareceu. Segundo a companhia de limpeza, os garis desrespeitaram o acordo firmado na sexta-feira (13) de colocar 75% do efetivo nas ruas ou terminar a greve. O sindicato, no entanto, negou a informação. No final da reunião com o MPT os grevistas realizaram uma assembleia e decidiram manter a greve.

De acordo com informações divulgadas pela empresa, 50% do efetivo operacional para limpeza e coleta têm saído às ruas para realizar os serviços, percentual inferior aos 75% determinado pela Justiça do Trabalho. Na madrugada de sexta (13), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) julgou que ela é ilegal e determinou a suspensão do movimento, sob pena de multa diária ao sindicato de R$ 100 mil.


Durante o encontro no MP, a procuradora Deborah Felix alertou o grupo que a greve seria considerada ilegal, já que não teria respeitado o comunicado de avisar sobre a paralisação 72 horas antes de seu início. Ela explicou que na reunião de sexta-feira, a Comlurb informou que só compareceria se os garis fizessem uma trégua. No entanto, eles decidiram pela continuidade do movimento.

“Eu esclareci que a greve é um direito deles legítimo, mas que é preciso obedecer os contornos da lei. [Em] Uma atividade essencial como essa, a população não pode ser surpreendida de um dia para o outro. Teria que ter um aviso mínimo de 72 horas e precedido de negociação prévia. Eles simplesmente decidiram parar e pronto. Surpreenderam todo mundo. Eles têm direito de reivindicar, mas serão prejudicados se a greve for julgada abusiva. Vai ser ruim para todos os trabalhadores. Fiz essas ponderações. A trégua não é uma derrota. É a retomada do diálogo”, explicou a procuradora.

Na madrugada desta terça, a equipe de reportagem do Bom Dia Rio flagrou homens recolhendo lixo das ruas sem uniforme da companhia de limpeza da prefeitura. O caminhão que fazia a coleta, no entanto, era da Comlurb. Como estavam sem uniforme, não era possível saber se eram garis que furaram a greve ou pessoas contratadas pela companhia para “quebrar um galho”.

Ainda sobre os substitutos que estariam sendo contratados pela Prefeitura para realizar o trabalho de coleta de lixo, inclusive dentro de comunidades, os grevistas afirmaram que essas pessoas podem estar provocando atos de violência que tem sido atribuídos ao grupo a pessoas contratadas. "Eles colocaram terceiros que estão fazendo sinal de facção dentro das comunidades, afirmou Bruno.
G1

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