É aí que Olenka decide de uma vez por todas descobrir o que se passou no fatídico dia e curar seu amor. Conversando com moradores do bairro, fica sabendo quem cochichou na orelha de Adauto antes do pênalti: Ceará, que jogava no Olaria e, agora, é comerciante em um mercadão.
Determinada, ela vai até seu encontro e o coloca na parede, perguntando o que foi dito naquela ocasião.
“Beleza, vai. Tanto tempo, isso aí, que diferença faz? Chupetinha”.
“Que?”
“Chupetinha. Foi isso que eu falei no ouvido dele. Seguinte, eu estudei com o Adauto no colégio interno lá em Andaraí, a gente já tinha o que? Uns quinze anos e ele ainda chupava chupeta. Um dia, os meninos descobriram e começaram a chamar ele de Chupetinha. Eu sabia disso, sabia que ele tinha vergonha e resolvi falar ali, na hora do pênalti, pra desestabilizar”.
Olena volta correndo para a casa e encontra Adauto fazendo faxina. Ela chega perguntando “cadê a chupeta?”, fazendo com que o amado derrube o rodo que segurava.
Então, vem na memória do ex-jogador quando estava no colégio interno e se trancou no banheiro com uma embalagem de bombom que, na verdade, embrulhava sua chupeta. Enquanto ele curte esse momento, meninos entram no local e abrem com tudo a porta da cabine onde está, gritando “chupetinha”. E foram esses gritos que voltaram à sua cabeça, segundos antes de chutar a bola longe e desperdiçar a chance de vencer com o Divino.
A cena seguinte traz Olenka revirando a casa em busca da chupeta que Adauto esconde. E ela a encontra da mesma forma como ele a protegia antes: embrulhada em uma embalagem de chocolate.
“Para, Adauto! Olha aqui! Não tem problema, entendeu?! Eu te amo! Tem gente que faz coisa muito pior!
Mas você precisa se curar desse trauma e o único jeito é queimando essa chupeta!”
“Não! Queimar a pepeta, não!”
“Queimar a pepeta, sim! Ou você acaba com essa chupeta ou essa chupeta acaba com você!”
E é o próprio ex-jogador que, depois de muito pensar, decide por fim a este costume. Ele joga álcool e põe jogo no objeto, vendo-o queimar aos prantos. Ainda coloca o dedão na boca, mas Olenka o corrige, segurando em sua mão.
O Fuxico





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